Política Blog do Valdomiro

A breve, intensa e simbólica passagem do pastor Gilmar na política

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Por Valdomiro da Motta

Em 01/Feb/2026 16:15

A morte do pastor Gilmar Doerner, neste domingo, 1º de fevereiro, aos 68 anos, encerra não apenas uma trajetória pessoal, mas também um capítulo emblemático da recente história política de Brusque. Sua passagem pelo poder público foi curta, intensa e marcada por contrastes: ascensão meteórica, protagonismo eleitoral e uma queda igualmente rápida.

Gilmar não foi apenas mais um vice-prefeito. Foi peça-chave na eleição de Ari Vequi em 2020, ao se tornar o elo entre o projeto político vencedor e uma parcela significativa do eleitorado evangélico. Ao aceitar entrar na disputa, abriu uma porta que até então permanecia semi-fechada na política local: a organização e mobilização estruturada do segmento religioso dentro do processo eleitoral.

É inegável que sua entrada no cenário político representou um movimento estratégico. Articulações envolvendo lideranças do COPAB e figuras tradicionais da política municipal mostraram que o capital eleitoral das igrejas evangélicas passou a ser visto não apenas como apoio simbólico, mas como força decisiva. Nesse contexto, Gilmar tornou-se o rosto desse novo arranjo.

No exercício do cargo, porém, sua atuação foi discreta. Embora tenha ocupado interinamente a cadeira do Executivo em algumas ocasiões, não conseguiu consolidar uma marca administrativa própria. Ainda assim, nos bastidores, chegou a ser tratado como possível nome para voos mais altos, inclusive para uma futura disputa pela Prefeitura. O projeto, entretanto, naufragou com a cassação do mandato, episódio que encerrou de forma traumática sua carreira política.

A cassação não apenas retirou Gilmar da vida pública, mas também serviu como alerta para a fragilidade de alianças construídas mais pela conveniência eleitoral do que por bases sólidas de governança. Após o episódio, o pastor praticamente desapareceu do debate político, recolhendo-se a uma postura mais reservada — reflexo claro de decepção e desgaste pessoal.

Ainda assim, seu legado político não pode ser ignorado. Gilmar Doerner simbolizou o momento em que o segmento evangélico deixou de ser coadjuvante para ocupar o centro do tabuleiro eleitoral em Brusque. Gostem ou não seus críticos, ele abriu caminho para que outros líderes religiosos passassem a enxergar a política como espaço de disputa legítima e estratégica.

Sua morte encerra uma história marcada por erros, acertos, expectativas e frustrações. Mais do que julgar personagens, cabe à cidade refletir sobre o que esse episódio ensinou: que a política exige responsabilidade, transparência e preparo, independentemente da origem — seja ela empresarial, partidária ou religiosa.

Brusque se despede de um personagem, inegavelmente, marcante. E a história, como sempre, será a encarregada de colocar cada capítulo em seu devido lugar.

Vá em paz, pastor Gilmar.

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