O prefeito de Chapecó, João Rodrigues, elevou o tom do debate político dentro do Partido Social Democrático (PSD) em Santa Catarina e deixou claro que não pretende recuar de sua pré-candidatura ao governo do estado. Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta sexta-feira, 13, em Chapecó, ele não apenas reafirmou o projeto político que vem construindo, como também fez duras críticas a duas figuras importantes do cenário político catarinense: o prefeito de Florianópolis, Topázio Silveira Neto, e o ex-governador Jorge Bornhausen.
Rodrigues classificou Topázio como “traidor” dentro do partido. A crítica se dá após o prefeito da capital declarar apoio público à reeleição do atual governador, Jorginho Mello, adversário direto do projeto político que o PSD tenta construir no estado. Na visão do prefeito de Chapecó, a postura de Topázio representa uma tentativa de enfraquecer candidaturas viáveis do próprio grupo político.
O episódio escancara uma crise interna no PSD catarinense. Segundo Rodrigues, desde a última eleição ao governo do estado o partido vem estruturando um projeto próprio. Naquele momento, ele apoiou a candidatura do então prefeito da capital, Jean Loureiro, que levou Topázio para o PSD ao filiar o vice-prefeito à legenda. A partir dali, conforme relatou Rodrigues, começou a articulação política que desembocaria em sua pré-candidatura atual.
Mas o discurso do prefeito de Chapecó também teve recados diretos ao passado político do estado. Ao comentar declarações recentes de Bornhausen, que colocaram em dúvida a viabilidade de sua candidatura, Rodrigues disse respeitar a trajetória do ex-governador, mas afirmou que ele ainda faz política “fora dos novos tempos”, sugerindo que sua leitura do cenário está desatualizada diante da dinâmica política atual.
O embate revela mais do que uma divergência pontual: expõe uma disputa de projeto dentro do PSD catarinense. De um lado, Rodrigues tenta consolidar a candidatura própria do partido ao governo. De outro, o apoio de Topázio à reeleição de Jorginho Mello cria fissuras internas que agora podem resultar em consequências formais.
A crise deve ter desdobramentos já nos próximos dias. A executiva estadual do PSD foi convocada para uma reunião na próxima segunda-feira, às 18h, em Florianópolis, sob a liderança do presidente estadual da sigla, Heron Giordani. Durante a mesma coletiva, Giordani afirmou que permanece alinhado ao projeto de candidatura própria do partido e confirmou que pretende encaminhar o pedido de expulsão de Topázio da legenda.
Mais do que uma divergência partidária, o episódio mostra que a disputa pelo governo de Santa Catarina já começou — e, dentro do próprio PSD, ela promete ser tudo menos silenciosa.