Crédito da Foto: Foto: Secom Prefeitura
A Prefeitura de Brusque anunciou, na última semana, a troca no comando da Secretaria Municipal de Saúde. Deixou o cargo a enfermeira e doutora Thayse Rosa, assumindo em seu lugar o médico infectologista Ricardo Alexandre Freitas. A mudança pegou muita gente de surpresa, mas deixou claro o quanto o fator político pesa dentro de um governo.
Thayse permaneceu pouco mais de um ano e meio à frente da pasta. Sua chegada foi tão surpreendente quanto sua saída. Transferida da Grande Florianópolis, onde teve atuação marcante na equipe de Saúde de Biguaçu, ela comandou a secretaria nesse período em meio a avanços, críticas e certo olhar desconfiado por parte dos brusquenses, por ser considerada uma "forasteira".
Particularmente, acredito que sua gestão teve mais acertos do que erros. Digo isso pelos resultados alcançados na abertura de serviços que antes estavam travados ou barrados por questões meramente ideológicas. A UPA do bairro Santa Terezinha é um exemplo disso. Ideia trazida pelo governo petista do ex-prefeito Paulo Eccel, ela foi ignorada por gestões que vieram depois dele — Roberto Prudêncio Neto, Boca Cunha, Jonas Paegle e Ari Vequi. Mas foi durante a gestão de Thayse que o serviço passou a funcionar, graças à percepção de que seria não apenas viável, mas fundamental para a cidade.
Além disso, a implantação do serviço de transporte de pacientes para fora do município, utilizando veículos no estilo Uber, também foi uma medida que teve impacto positivo, inclusive na reeleição do atual prefeito. Apesar de haver reclamações sobre esse serviço, a ideia foi, no mínimo, inovadora.
O que parece ter pesado contra a ex-secretária foi justamente seu perfil mais técnico e menos político. Em uma visita, quando eu ainda era candidato a vereador e buscava intermediar demandas de um determinado bairro, ouvi dela que estava em um momento de dizer "não" a muitos pedidos políticos, para conseguir atender efetivamente as necessidades da população. No jogo político, essa limitação costuma custar caro.
Mas há algo que poucos revelam — sejam políticos ou ocupantes de cargos de confiança, técnicos ou não: os problemas da saúde pública não serão totalmente resolvidos. Não é exagero. Fui conselheiro de Saúde por dois anos e pude acompanhar de perto os embates sobre a destinação dos recursos do Fundo Municipal de Saúde, gerenciados pelo Comusa. A demanda é muito maior do que o orçamento disponível. Isso sustenta ou derruba qualquer um no cargo. No caso da saúde, exames, consultas, cirurgias e todos os serviços garantidos pelo SUS têm um custo — e ele não é barato. A consequência é a demora, as filas de espera aumentam, e a incapacidade provocada pelo sistema e pela escassez de recursos se torna um problema sério. Não há figura técnica ou política capaz de resolver, sozinha, esse emaranhado de dificuldades.
O novo secretário de Saúde, Ricardo Alexandre Freitas, é um profissional igualmente competente e traz consigo dois fatores que o colocam em vantagem em relação à ex-secretária — ao menos no que o governo André Vechi parece considerar essencial para o cargo: ele tem perfil político, conhece o sistema e possui bom relacionamento com as equipes, principalmente das Unidades Básicas de Saúde — algo que, segundo ouvi, faltava a Thayse Rosa. Tenho certeza de que fará, igualmente, um bom trabalho. Porém, sem querer parecer pessimista, é provável que enfrente, em algum tempo, as mesmas reações que ela e tantos outros já enfrentaram: não conseguirá resolver todos os problemas. E não será por falta de competência, mas por causa das limitações impostas pelo próprio sistema.
Logo após a saída de Thayse do cargo, ouvi que o estopim poderia ter sido um entrave entre ela e a direção de um dos hospitais sobre renovação de contrato de prestação de serviços. O tipo de desconforto que o prefeito e seu time de primeiro escalão menos precisam neste momento. Ricardo Freitas, ao que parece, entra com aval de quem desejava a cabeça da ex-secretária.