Pesquisa encomendada e divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) traz à tona uma realidade que, particularmente para mim, não se mostra novidade: a quantidade de pessoas que vem fugindo da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) e optando por entrar ao grupo dos pejotizados. O motivo: mais liberdade de tempo e, consequentemente, melhor condição de lazer e até ganhos maiores. O levantamento foi divulgado nesta segunda-feira, 23.
Conforme o estudo, 59% dos entrevistados preferem trabalhar por conta própria do que estar atrelado a um contrato de trabalho com carteira assinada. Esse último representa 39%. Ganhar mais é mais importante do que ser registrado foi outro ponto destacado pelo público que respondeu à pesquisa.
Esses dados apresentados pela pesquisa dão luz para compreender a dificuldade enfrentada por muitas empresas, que não conseguem preencher seus quadros através de contratações via CLT. A falta de mão de obra tem se tornado um verdadeiro problema. E ela não está mais restrita somente à qualidade, à qualificação, mas ao desinteresse efetivo dos trabalhadores ou colaboradores pelas vagas em si.
A pergunta que tem sido feita é por que muitas empresas e estabelecimentos não conseguem preencher as vagas disponíveis na hora de contratar mão de obra? A razão disso é muito simples: as pessoas, principalmente os mais jovens, buscam qualidade de vida e liberdade de tempo. Algo que um contrato de trabalho com carteira assinada acaba por limitar.
Posso me colocar neste grupo. Alguns anos atrás, pedi demissão de um emprego ao qual estava registrado havia 12 anos. Meu projeto na época era dispor de mais tempo livre aos finais de semana, considerando que atuava na escala 6x1. A folga sempre caia em dias alternados e somente um domingo por mês podia usufruir dela neste dia da semana.
Naquele período já havia aberto minha inscrição em um CNPJ e passei a atuar sob contratos de trabalho como prestador de serviços. Abrir mão de férias, 13º salário e outros benefícios que a lei trabalhista me resguardava não foi fácil. Porém, ganhei mais tempo não apenas para o lazer e a família que tanto buscava, mas estabeleci meus horários e dias de trabalho. Quanto aos benefícios, nada que uma boa gestão financeira, com reserva de caixa, não possibilite-os. Sim, isso é possível!
O mercado de trabalho está mudando e isso não é de hoje. Depois de passarmos pela adaptação (embora isso ainda esteja ocorrendo) da mão de obra com a inserção na tecnologia, vivemos outro momento, em que essa mesma mão de obra tem outras prioridades. O processo se inverteu: antes, as empresas ditavam as regras na hora da contratação. Agora, o trabalhador ou colaborador é quem, decide se fica ou não. As empresas precisam acordar e entender que não basta apenas dispor da vaga, é preciso ter algo a mais que motive a pessoa a querer ficar ali. E nem sempre isso está relacionado a quanto vai receber.