Muito tem se falado nos bastidores e já é assunto do público em geral a possível candidatura do vereador carioca Carlos Bolsonaro a senador por Santa Catarina ano que vem. Uma espécie de imposição goela abaixo de seu pai, Jair Bolsonaro, que tem no estado do Sul um capital eleitoral de dar inveja. A pergunta que se faz é se os catarinenses se curvarão aos desejos do ex-presidente da República de manter a família no poder e avançar espaços com o aval do povo barriga verde.
Dos aliados mais ferrenhos de Jair e que devem suas eleições a ele, talvez a deputada federal Caroline de Toni (PL) seja a que está mais adiantada no apoio a Carlos Bolsonaro. Tanto que já circula com ele a tiracolo pelo estado a fazer visitas. Resta saber até onde ela também não será afetada pela crescente rejeição que se vê à candidatura do filho do ex-presidente, se confirmada. Nota-se, pelas reações de entidades da sociedade civil organizada, principalmente a FIESC, e da própria população que essa aversão é forte. E crescente.
Empurrar a candidatura do segundo filho em Santa Catarina - ele conseguiu eleger o 04 Jair Renan em Balneário Camboriú - será teste sobre o poder e capital eleitoral de Jair Bolsonaro no estado. Falo isto com olhar mais adiante. A política, assim como muitas coisas na vida, é feita de fases. O Bolsonarismo surgiu e eclodiu num piscar de olhos, levantado por um dissabor da sociedade com a velha política. Ironicamente, deu visibilidade e escolheu como símbolo uma figura que fazia parte desta mesma velha política, passados 28 anos de mandato só no Congresso Nacional. Penso que o Bolsonarismo - o que ele representa - ainda sobreviverá mais algum tempo, mas a figura do ex-presidente começou a ruir já e não é de hoje.
Em Santa Catarina, esse teste será em 2026, mas já pode ser sentido em 2024. Por mais que tenha eleito a maioria dos prefeitos alinhados a seu grupo político, principalmente ao PL, o eleitor escolheu os representantes por outras razões. Foi diferente de 2018, mais ainda de 2022 e vai se acentuar em 2026. Claro que no espectro político, uma eleição é diferente da outra, mas essa é essa leitura de algo não visível que faz o eleitor na hora do voto e a mais importante. O pavor do comunismo vendido em 2018 já caiu em descrédito e não assusta mais. O discurso da falta de liberdade de expressão também não. Ele sobrevive apenas nos mais radicais e que não construíram uma carreira, por mais que meteórica, fora das sombras do ex-presidente.
Para resumir, o ideal utilizado pelo grupo político do ex-presidente da República, do patriotismo, pode vir a ser o algoz da candidatura de seu filho em Santa Catarina. Ser patriota é defender a própria terra, amar ela acima de tudo. E isso o catarinense sabe muito bem como é. Importar candidato não é demérito algum, desde que ele tenha raízes e demonstre ao eleitor/cidadão que, de fato, faz parte desta terra e não está ali por mera conveniência ou interesse pessoal. Resta saber se o catarinense vai honrar esta marca ou se comprovará que está submetido, intrínsicamente, aos desejos pessoais - e da família - do ex-presidente.